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O ensaio de Volodia Teitelboim enfatizou os discursos de Fid
O ensaio de Volodia Teitelboim enfatizou os discursos de Fidel Castro desde quando seu grupo assumiu o poder em Cuba, logo após tosylate vitória em Sierra Maestra. Sua habilidade com as palavras foi destacada por Teitelboim, bem como seu caráter de coragem e retidão. Tais qualidades do líder revolucionário, enfatizadas por Volodia Teitelboim, teriam sido transferidas também para o povo cubano, em sua perspectiva.
A imagem de uma Cuba popular e corajosa, que soube enfrentar seus principais inimigos, as ditaduras nacionais que a exploravam e o imperialismo dos Estados Unidos, foi amplamente veiculada. Assim, para o diretor de Araucaria de Chile, Fidel é “un profesor de la conciencia, un educador del Hombre. [...] Yendo más allá de los filósofos o políticos griegos del Ágora, convirtió la plaza pública en aula para enseñar a un pueblo que no sabía, pero en cuya inteligencia y voluntad de superación tenía ilimitada confianza”. Foi através de seus pronunciamentos constantes que Fidel Castro ajudou a forjar na população cubana uma “posición ética irreductible”, ancorada nos valores da revolução, o que fez de Cuba uma nação forte, apta para “enfrentar al enemigo de afuera y de adentro”, precisamente os Estados Unidos e os movimentos contrarrevolucionários do país.
A Cuba revolucionária foi tema também de poemas publicados em Araucaria de Chile, La libertad, de Pablo Neruda, publicado postumamente na revista, evidenciou toda a esperança em uma transformação social para a América Latina, a partir do exemplo da revolução em Cuba. Liberdade, dignidade e revolução americana, essas palavras utilizadas pelo poeta Pablo Neruda no poema parecem significar aquilo que Cuba conquistou e que os demais países latino-americanos deveriam também almejar:
Ainda na edição especial de Araucaria de Chile a respeito dos 25 anos da Revolução Cubana, Ramón de Armas e Eduardo Galeano buscaram explicar em seus artigos as origens do sentimento libertador e revolucionário cubano, associando-o aos seus antecedentes históricos. Ambos evocaram a figura de José Martí como aquele que incitou, na sociedade cubana, a consciência de sua soberania em relação à opressão e à exploração sofridas frente aos colonizadores espanhóis e ao incipiente imperialismo dos Estados Unidos. Na afirmação de Ramón de Armas, foi Martí o responsável pelo “temprano acercamiento de los objetivos de liberación nacional y los de profunda rectificación social”. Complementando essa perspectiva, Eduardo Galeano expressou que, para Martí, Cuba não poderia criar-se sem revolução. Dessa forma, a Semiconservative replication revista evocou José Martí como um personagem fundador da aura revolucionária de Cuba, responsável direto pela mudança política ocorrida no país em 1959, em função de seu exemplo na luta contra o colonialismo espanhol e contra o imperialismo dos Estados Unidos.
Por fim, nas abordagens da revista Araucaria de Chile sobre a Revolução Cubana, outro assunto que mereceu destaque foi o desenvolvimento da cultura em Cuba após a ascensão dos revolucionários ao poder. Volodia Teitelboim observou que foram criados círculos infantis e milhares de escolas na cidade e no campo.
A revista Araucaria fez questão de publicar, na íntegra, uma conferência concedida para uma série de órgãos da imprensa, em dezembro de 1983, pelo então Ministro da Cultura de Cuba, Armando Hart, sobre a política cultural no país. Nessa conferência, o ministro mencionou a criação do Ministerio de Cultura, em 1976, e elencou os progressos obtidos no campo educacional cubano, como a alfabetização em massa da população, a extensão do ensino primário por todo o país, incluindo as áreas rurais mais distantes, e o crescimento sem precedentes da educação universitária. Ele também deu ênfase ao crescimento exponencial da edição de livros no país, bem como a criação de várias instituições culturais, como o Balet Nacional de Cuba, o centro de estudo, pesquisa, edição e promoção da história cubana e latino-americana, Casa de las Américas, que foi fundada poucos meses após o triunfo da revolução, e o Centro de Investigaciones y Desarrollo de la Música Cubana.
Sobre Casa de las Américas, o jornalista e escritor cubano Ciro Bianchi publicou uma crônica, no número 26 de Araucaria de Chile, na qual detalhou as funções desse centro de cultura e sua importância na difusão dos valores culturais da América Latina e do Caribe.